Numa reunião em Berlim, Lula e Merkel , chefes de estado de Brasil e Alemanha, perderam a compostura e tentaram dar lição de moral um no outro. Razão do bafão, O fim do prazo de cooperação nuclear do Irã. Uma semana antes Lula havia recebido Ahmadinejad no Brasil.A intenção dos Iranianos era mostrar que não estavam isolados e limitar assim, os que pressionam contra o enriquecimento de uranio iraniano a 3 ou 4 países. Os jornalistam provocaram. Perguntaram direto a Merkel sobre a opinião dela sobre o assunto. Merkel é , depois de brown, a principal aliada dos EUA na Europa. Em sua resposta, Merkel subiu o tom. "Se o diálogo não acontecer, vamos perder a paciência e adotar novas sanções", reafirmando a posição dos EUA sobre o Irã ( como um bom bichinho de estimação yankee )da qual o Brasil discordou publicamente. Lula respondeu lembrando que na mesma semana recebeu o presidente do Estado Judeu. Como quem diz: eu sou neutro nesta questão igual a vocês. E disse "Eu penso que tratar o Irã como um país insignificante, aumentando a cada dia a pressão exercida, poderá não resultar em uma coisa boa", justificou. "Como o Irã é um país de uma cultura muito forte, nós precisamos aumentar o grau de paciência, para aumentar a profundidade das conversas." disse ainda "Nós no Brasil temos enriquecimento de urânio para produzir energia elétrica. E o que queremos para o Irã? O mesmo que o Brasil tem. O mesmo que o Brasil aceita para si, nós aceitamos para o Irã." Ou seja, o princípio da boa fé nas alegações de fins pacíficos das pesquisas. Depois de deixar a chanceler alemã constrangida, Lula mandou uma muito desconfortavel para o discurso politicamente correto da alemanha, disse "A autoridade moral para pedirmos para outros não terem é a gente também não ter." Senáo, é o faça o que eu digo, mas não o que eu faço. Uma gafe internacional onde um chefe recebe o outro com críticas.Que feio "civilizada" alemanha!
Sábado, Dezembro 05, 2009
Comprando a briga dos outros, o Brasil peita o mundo
Numa reunião em Berlim, Lula e Merkel , chefes de estado de Brasil e Alemanha, perderam a compostura e tentaram dar lição de moral um no outro. Razão do bafão, O fim do prazo de cooperação nuclear do Irã. Uma semana antes Lula havia recebido Ahmadinejad no Brasil.A intenção dos Iranianos era mostrar que não estavam isolados e limitar assim, os que pressionam contra o enriquecimento de uranio iraniano a 3 ou 4 países. Os jornalistam provocaram. Perguntaram direto a Merkel sobre a opinião dela sobre o assunto. Merkel é , depois de brown, a principal aliada dos EUA na Europa. Em sua resposta, Merkel subiu o tom. "Se o diálogo não acontecer, vamos perder a paciência e adotar novas sanções", reafirmando a posição dos EUA sobre o Irã ( como um bom bichinho de estimação yankee )da qual o Brasil discordou publicamente. Lula respondeu lembrando que na mesma semana recebeu o presidente do Estado Judeu. Como quem diz: eu sou neutro nesta questão igual a vocês. E disse "Eu penso que tratar o Irã como um país insignificante, aumentando a cada dia a pressão exercida, poderá não resultar em uma coisa boa", justificou. "Como o Irã é um país de uma cultura muito forte, nós precisamos aumentar o grau de paciência, para aumentar a profundidade das conversas." disse ainda "Nós no Brasil temos enriquecimento de urânio para produzir energia elétrica. E o que queremos para o Irã? O mesmo que o Brasil tem. O mesmo que o Brasil aceita para si, nós aceitamos para o Irã." Ou seja, o princípio da boa fé nas alegações de fins pacíficos das pesquisas. Depois de deixar a chanceler alemã constrangida, Lula mandou uma muito desconfortavel para o discurso politicamente correto da alemanha, disse "A autoridade moral para pedirmos para outros não terem é a gente também não ter." Senáo, é o faça o que eu digo, mas não o que eu faço. Uma gafe internacional onde um chefe recebe o outro com críticas.Que feio "civilizada" alemanha!
Sábado, Outubro 17, 2009
CIÊNCIA COMPROVA: PENSAMENTO POSITIVO DÁ ERRADO!
Sabe o livro “o segredo”? A lei da atração? O pensamento positivo atraindo sucesso? Pois bem três pesquisadores canadenses em um estudo publicado recentemente no jornal Psychological Science sobre uma pesquisa feita com jovens universitários comprovou que, sim, tecer elogios a si próprio dá resultado. Infelizmente, não é o resultado esperado. As palavras doces (“eu sou uma pessoa adorável”) ditas em voz alta pioraram bastante a auto-imagem de quem mais precisava de uma forcinha. Quem tinha auto-estima reduzida – medida por um questionário-padrão desenvolvido nos anos 60 – saiu pior ainda da experiência.
Uma das explicações dos autores é que, quando ouvimos afirmações radicalmente opostas àquelas em que acreditamos, nós não apenas nos mostramos céticos, como tendemos a aderir com ainda mais força nossa posição original. Um socialista moderado, ao ouvir um amigo tecer loas ao liberalismo, tende a se sentir mais socialista. Um corintiano bissexto, rodeado por palmeirenses numa roda de bar, tende a demonstrar uma paixão inaudita por seu time. E, na opinião dos pesquisadores, uma pessoa que não se considera lá essas coisas, ao ouvir de si própria que é genial, ou linda, ou adorável, tende a achar-se mais desprezível que antes.
O segredo é um documentário-livro-audiolivro (gravado no Brasil na popularíssima voz da apresentadora de TV Ana Maria Braga) de 2006. Ele tenta fundamentar cientificamente o poder do pensamento positivo. Para os que acreditam em O segredo, esse poder se basearia numa suposta “Lei da Atração”. Por essa lei, pensar num acontecimento contribuiria para sua ocorrência.
É mais ou menos o que faziam 52% dos 249 participantes da primeira fase do estudo canadense. Eles disseram que recorrem ao pensamento positivo com alta frequência (em fórmulas do tipo “eu vou vencer!”), principalmente antes de provas ou apresentações.
Um dos maiores problemas da doutrina do pensamento positivo é que ela propõe agir sobre os efeitos, não sobre as causas.É certo que pessoas com baixa auto-estima produzem menos do que são capazes, e estimulá-las é um dos caminhos para que melhorem. Mas o estímulo tem de vir acompanhado de treinamento.
Há uma razão evolucionista para a auto-estima, alta ou baixa. Entre galinhas, por exemplo, é comum haver brigas para determinar a hierarquia do grupo. Mas, uma vez estabelecida a posição de cada indivíduo, as brigas rareiam. As galinhas com “baixa auto-estima” deixam de levar bicadas desnecessárias das galinhas mais fortes justamente porque encontram sua posição. O grupo inteiro economiza energia.
O ideal, portanto, é que tenhamos uma auto-estima condizente com nossas capacidades. Ou um pouco acima, para nos incentivar a progredir. Mais gente com baixa auto-estima significa mais gente propensa a tentar o pensamento positivo. Mas lembre-se: não vai dar certo. E o pior é que esse livreco estimula o consumismo. Se a lei da atração funcionasse, por que então não estimulamos o mundo a pensar na cura do câncer ao invés de em um carro de luxo? Sem condições...
Segunda-feira, Setembro 21, 2009
The Truth Is Out There
Atualmente, estou revendo o seriado “Arquivo X” de Chris Carter. Uma nostalgia incalculável para quem viveu a juventude (subversiva) nos anos 90. O fim da Guerra Fria permitiu que os EUA abordassem abertamente questões conspiratórias num seriado de TV. E olha, tem capítulos que você fica pensando “caramba, isso faz muito sentido”. Mas a razão do título deste post nada tem a ver com as investigações de Mulder. É que pensando durante um banho eu saquei uma teoria que justifica o atual processo dos EUA em ativar a quarta frota e ocupar 7 bases colombianas. Conspiracionista, como nunca neguei. Tudo começa com o Equador não renovando o direito dos Americanos de usar uma base militar, naquele país, a partir de 2010. O Governo Correa é aliado próximo de Hugo Chavez e participa da ALBA ( Alternativa Bolivariana para a América Latina ). Depois algo mais sério ocorreu. O Brasil, país que está com meia bunda sentada numa cadeira permanente do conselho de segurança da ONU, potencial alternativa ao Chavismo na América do Sul, Parceiro estratégico dos EUA, toma a iniciativa de criar uma instituição multi-lateral chamada “UNASUL”, e recebe a idéia com aceitação. Mesmo a Colômbia aceitou para não ficar isolada e ainda em troca de Lula criticar o “terrorismo” das FARC em 2008. A UNASUL é uma ameaça à hegemonia e influência dos Yankees na América do Sul. Eis o porquê de , pela desculpa de combate ao narcotráfico, os EUA buscam mais bases militares na América do Sul. Não me surpreenderia se o próximo país a abrir as pernas, fosse o Peru...
Segunda-feira, Agosto 17, 2009
As duas faces de Obama
Para quem não está dando importância a um golpe militar num pequeno país caribenho, fica um alerta: O golpe que derrubou Zelaya, eleito pelo voto popular, é um sinal de que , se não for revertido, outros governos da América Latina podem sofrer o mesmo. E só pra lembrar, Brasil faz parte da América Latina. Se alguém ainda acha esta possibilidade delirante, pesquise na internet o que significa a reativação da quarta frota americana. O governo Obama que tinha tudo para provar que a política dos EUA para a América seria de real parceria e não de dominação, está dando sinais frágeis desde que decidiu manter aberta Guantánamo, manter isolada economicamente Cuba e instalar sete bases militares na Colômbia. Estes sinais dúbios dos yankees ficam ainda mais estranhos quando Uma funcionária graduada do governo deposto de Honduras, a ex-vice-chanceler Patricia Valle, acusou na noite do sábado que houve envolvimento de funcionários dos Estados Unidos no golpe de Estado que em 28 de junho afastou o mandatário José Manuel Zelaya. Ela disse que o avião que levou Zelaya ao exílio fez uma escala numa base aérea administrada pelos EUA. Zelaya também confirmou este episódio esquisito. Numa viajem curta ( Honduras é um país pequeno e sua capital fica a 40 km da Costa Rica ) qual a necessidade de parar para abastecer-se em uma base americana?
Para quem pensa que o Brasil está longe desta tramóia conspiratória, basta levantar os fatos históricos. O presidente americano Richard Nixon e o general brasileiro Emílio Garrastazu Médici discutiram em dezembro de 1971 como cooperar para derrubar o presidente chileno Salvador Allende, segundo documentos oficiais da Casa Branca que eram confidenciais e foram liberados nesta segunda-feira dia 17. Estados Unidos e Brasil, afirmou Nixon no documento, "devem tentar e prevenir novos Allendes e Castros e tentar, onde for possível, inverter estas tendências".
O golpe de Pinochet contra Allende acabou com o primeiro governo de tendência marxista que chegou ao poder pelas urnas na América Latina e deu início a uma ditadura que deixou, oficialmente, mais de 3.000 vítimas, entre executados e desaparecidos (1973-1990). Páginas negras de nossa história que ainda não foram completamente viradas. Esperamos que Obama aja com firmeza contra o golpe de Honduras, ou a moda pode pegar novamente.
Domingo, Julho 26, 2009
Desculpem dizer, mas todos vocês foram enganados!
No último domingo prestigiei uma convenção de ficção científica em São Paulo. Além de um monte de tiozão vestido de uniformes de diversos seriados – experiência, para dizer o mínimo, singular – uma palestra homenageava os 40 anos da ida do homem à lua. OK, até aí tudo normal para um evento de Sci Fi. Só que o palestrante deixou subentendido que ele não acreditava que homem tivesse ido à lua. Mas talvez vocês se perguntem: “qual a pertinência desta questão? Foda-se se homem foi ou não à lua em 69, hoje temos tecnologia para isso e a discussão caducou com o tempo”, pois é meus caros, caducou mesmo. A questão ficou na minha cabeça e eu resolvi pesquisar pois, se por acaso o homem não tiver ido a lua em 69, se trata da maior fraude histórica do século XX. E isso é suficiente razão para refletirmos sobre o poder de manipulação de massas pelo Estado. Segundo os defensores desta teoria da conspiração a montagem desta fraude servia pois em tempos de Guerra Fria, propagandear a supremacia americana frente à ainda existente União Soviética (URSS) na corrida espacial e, em segundo lugar, elevar o moral da nação, que estava em frangalhos após a traumática experiência no Vietnã, eram necessárias. Na minha pesquisa descobri um autor chamado Bill Kaysing,um engenheiro, autor de "We Never Went to the Moon" ("Nunca fomos à Lua", 1974). Em seu livro, Bill lista uma série de argumentos como O céu sem estrelas, as sombras convergentes que aparecem em algumas fotos, a bandeira tremulando num ambiente sem vento, a pegada perfeita da bota de Armstrong e a falta de uma cratera após a aterrissagem do módulo espacial são algumas das hipóteses de contestação. Um outro livro "Nasa mooned America" ("A Nasa expôs a América", 1992), Ralph Rene revela que na década de 60 a NASA não dominava a tecnologia necessária para levar um homem à lua e trazê-lo de volta. Em diversos documentos da NASA, revelados nos anos 90, isso ficou demonstrado. Imaginem então as imagens em preto e branco ( já existiam câmeras coloridas há mais de 2 décadas ) do primeiro astronauta andando no satélite natural da Terra, vistas pela TV por um quinto da população mundial em 20 de julho de 1969, são parte de mais uma superprodução hollywoodiana. Não é uma teoria fascinante? Anos anteriores a União Soviética havia levado ao céu o primeiro satélite ( sputinik ) em 1959. Também foi o soviético Yuri Alekseyevich Gagarin o primeiro homem a orbitar a terra. Numa época de guerra fria, em que muitos países não-alinhados estavam escolhendo, pelo critério da superioridade militar e científica, a qual facção ideológica se filiar, chegar primeiro a lua é como dizer “Nós somos superiores”. E sairia mais barato e seguro montar uma chegada a lua do que fazê-la com bilhões e riscos de vida. Afinal, ninguém vai estar na lua para conferir mesmo, não é? Como este blog é conspiracionista de carterinha, vai aí um vídeo satirizando a descida do homem a lua. Muito bem bolado.
http://www.youtube.com/watch?v=mouUUWpEec0
Sábado, Junho 13, 2009
Etnografia cinemática
Mais um noitão se sucedeu nesta madrugada do dia 13. Um evento que ocorre , no HSBC da Avenida Paulista, uma vez por mês. Para quem não conhece, trata-se de uma exibição de filmes , sempre inéditos e alternativos, na madrugada de sexta para sábado. Minha namorada e eu já estamos nos tornando freqüentadores assíduos do noitão. Uma vez apresentado o evento vamos aos filmes. Esta madrugada nos presenteou com três filmes europeus de escolas de cinema diferentes e marcantes. Começamos a noite com o “die welle” , cinema alemão, sempre sóbrio e profundo, aborda a possibilidade de uma nova ditadura na Europa. Lembra o homônimo “The wave” de 1981. Vale a recomendação. Em seguida um belo exemplar do cinema espanhol. Cores fortes, humor pastelão, uma trama de suspense cômico. Muito Kitsch como um bom Almodóvar. O filme se chama “La comunidad”. Para fechar a noite estávamos na dúvida entre um filme americano e o francês “Paris”. Por sorte minha namorada me convenceu a prestigiar o gaulês. E que filme!!! Intimista, com as boas características do cinema contemporâneo francês. Diversas micro-histórias se cruzam num emaranhado de acontecimentos que aborda temas sensíveis como a velhice, a paternidade , o amor e a morte. Esse eu quero ver de novo! Recomendadíssimo. Se alguém assistir algum destes filmes deixe comentários aqui para que troquemos experiências. Abraço a todos
Quarta-feira, Abril 01, 2009
... E A VERDADE?
"Nada existe. Mesmo se existisse alguma coisa, não poderíamos conhecê-la; concedido que algo existe e que o podemos conhecer, não o podemos comunicar aos outros."
Górgias (séc. IV a.C.)
Neste primeiro de abril ,dia da mentira, resolvi colocar a verdade contra a parede numa discussão gnosiológica básica da filosofia.
Para falarmos de impossibilidade de conhecimento, precisamos primeiro estabelecer o que entendemos por conhecimento. O conhecimento é o pensamento que resulta da relação que se estabelece entre o sujeito que conhece e o objeto a ser conhecido. É produto da busca humana por organizar todo um caos de estímulos cognoscíveis. Procuramos, nesta constante busca, estabelecer semelhanças, diferenças, contigüidades, sucessão no tempo, causalidades, que possibilitem um pouco de ordem para os dados colhidos pela percepção , imaginação e linguagem. Esta ordem de explicações, descrições e interpretações são, em si, o conhecimento.
Todo conhecimento toca, de algum modo, o problema da verdade. Sempre que conhecemos, nos perguntamos se o enunciado corresponde ou não à realidade.
Distinguimos verdade de realidade, considerando que a falsidade ou veracidade não estão no objeto, mas no juízo, no valor da afirmação. Há verdade ou não dependendo de como a coisa aparece para o sujeito que conhece. Pensavam os filósofos medievais que "a verdade é a adequação do nosso pensamento às coisas”.
Mas voltemos a problematizar: como julgar a verdade da representação do real pelo pensamento? E ainda, como saber se a definição mesma de verdade é verdadeira? Inúmeras foram as especulações filosóficas sobre a verdade. Evidência em Descartes, Prática para os pragmáticos ( Dewey ), corpo com coerência interna argumentativa para os lógicos. Enfim, não se pretende aqui fazer um tratado sobre a verdade, mas somente demonstrar a complexidade que o tema evoca.
Uma das discussões em torno do problema do conhecimento é exatamente a possibilidade ou não de o espírito humano atingir a verdade. É onde vejo a desconfortável porém inevitável reflexão cética.
Em grego, Skeptikós significa "que observa", "que considera". É próprio do cético considerar e observar , a tal ponto de concluir pela impossibilidade do conhecimento e nas tendências moderadas suspensão provisória de qualquer juízo. Portanto, há gradações no ceticismo. Os céticos moderados admitem uma forma relativa de conhecimento (relativismo), reconhecendo os limites para a apreensão da verdade. Estes também afirmam que a busca pela certeza é válida mesmo sendo impossível alcançar o pretendido, não devendo-se assim abandonar o conhecimento. Diante da impossibilidade de encontrarmos certezas, vivemos em códigos coerentes , validados por sua estrutura interna lógica , mas de verificabilidade impossível. É uma questão de fé, antes de tudo, decidir se uma empreitada intelectual vai me conduzir a um conhecimento que tenha em si a verdade.
A máxima cética , com a qual iniciamos este breve esboço, é um axioma no meu entender, não invalidando em si a impossibilidade de conhecimento.
A idéia de que possamos estar presos na caverna de Platão, ou na “matrix”, do filme homônimo, de “neo” é tão incômoda quanto não pode ser descartada por nenhum método de investigação. Quanto mais avança a física quântica, mais nos aproximamos da idéia assustadora de que não existe matéria e de que o observador afeta o objeto cognoscível ( até materialmente conforme algumas interpretações científicas ).
Enfim, idéias incômodas para pensarmos nestes primeiros dias de Abril.
Neste primeiro de abril ,dia da mentira, resolvi colocar a verdade contra a parede numa discussão gnosiológica básica da filosofia.
Para falarmos de impossibilidade de conhecimento, precisamos primeiro estabelecer o que entendemos por conhecimento. O conhecimento é o pensamento que resulta da relação que se estabelece entre o sujeito que conhece e o objeto a ser conhecido. É produto da busca humana por organizar todo um caos de estímulos cognoscíveis. Procuramos, nesta constante busca, estabelecer semelhanças, diferenças, contigüidades, sucessão no tempo, causalidades, que possibilitem um pouco de ordem para os dados colhidos pela percepção , imaginação e linguagem. Esta ordem de explicações, descrições e interpretações são, em si, o conhecimento.
Todo conhecimento toca, de algum modo, o problema da verdade. Sempre que conhecemos, nos perguntamos se o enunciado corresponde ou não à realidade.
Distinguimos verdade de realidade, considerando que a falsidade ou veracidade não estão no objeto, mas no juízo, no valor da afirmação. Há verdade ou não dependendo de como a coisa aparece para o sujeito que conhece. Pensavam os filósofos medievais que "a verdade é a adequação do nosso pensamento às coisas”.
Mas voltemos a problematizar: como julgar a verdade da representação do real pelo pensamento? E ainda, como saber se a definição mesma de verdade é verdadeira? Inúmeras foram as especulações filosóficas sobre a verdade. Evidência em Descartes, Prática para os pragmáticos ( Dewey ), corpo com coerência interna argumentativa para os lógicos. Enfim, não se pretende aqui fazer um tratado sobre a verdade, mas somente demonstrar a complexidade que o tema evoca.
Uma das discussões em torno do problema do conhecimento é exatamente a possibilidade ou não de o espírito humano atingir a verdade. É onde vejo a desconfortável porém inevitável reflexão cética.
Em grego, Skeptikós significa "que observa", "que considera". É próprio do cético considerar e observar , a tal ponto de concluir pela impossibilidade do conhecimento e nas tendências moderadas suspensão provisória de qualquer juízo. Portanto, há gradações no ceticismo. Os céticos moderados admitem uma forma relativa de conhecimento (relativismo), reconhecendo os limites para a apreensão da verdade. Estes também afirmam que a busca pela certeza é válida mesmo sendo impossível alcançar o pretendido, não devendo-se assim abandonar o conhecimento. Diante da impossibilidade de encontrarmos certezas, vivemos em códigos coerentes , validados por sua estrutura interna lógica , mas de verificabilidade impossível. É uma questão de fé, antes de tudo, decidir se uma empreitada intelectual vai me conduzir a um conhecimento que tenha em si a verdade.
A máxima cética , com a qual iniciamos este breve esboço, é um axioma no meu entender, não invalidando em si a impossibilidade de conhecimento.
A idéia de que possamos estar presos na caverna de Platão, ou na “matrix”, do filme homônimo, de “neo” é tão incômoda quanto não pode ser descartada por nenhum método de investigação. Quanto mais avança a física quântica, mais nos aproximamos da idéia assustadora de que não existe matéria e de que o observador afeta o objeto cognoscível ( até materialmente conforme algumas interpretações científicas ).
Enfim, idéias incômodas para pensarmos nestes primeiros dias de Abril.
Domingo, Março 08, 2009
"quem observa o observador?"
Aguardado quase um ano para assistir a estréia da versão cinematográfica de Watchmen, finalmente realizei , com mais 5 amigos, esse desiderato e vou compartilhar aqui minha impressões. Primeiramente, quem foi ao cinema ver um filme sobre super-heróis, se decepcionou. O filme definitivamente não está interessado em poderes, mas sim na frágil psique humana que se esconde nos uniformes.São heróis com problemas sexuais, câncer e outros distúrbios muito humanos. Além disso o filme conseguiu dar um ar realista para o clima pré-apocalíptico da guerra fria. Também explorou a evitada temática de super heróis atuando em guerras como o Vietnã. Mas houveram polêmicas , é claro. O excesso de cenas de ação, aperitivo ao público do cinema que não é – definitivamente – o mesmo dos quadrinhos, deixaram o diário de Roscharch, um encadeador passivo dos fatos que seguem na trama, como pano de fundo diante dos violentos e combativos flashbacks. Não foi à toa que Alan Moore, o “todo poderoso” autor dos quadrinhos, amaldiçoou o filme mesmo antes dele entrar em cartaz. Apesar de alguns inconvenientes hollywoodianos, as cenas chaves dos quadrinhos ficaram fidedigna no filme, com a exceção dantesca do final que foi radicalmente modificado, mas não comprometeu, em minha opinião, o sentido marxista abordado, segundo o qual “apenas uma ameaça comum pode unir dois lados politicamente opostos.” Para quem não leu o quadrinho dos anos 80, corra que ta na promoção na livraria cultura. Para quem não foi ainda ao cinema, bom filme.
Terça-feira, Fevereiro 03, 2009
"FAÇA-SE A LUZ"
Este é o primeiro de uma série de textos e recortes, que dedico a Adriana Koch, sobre meu principal entretenimento, na atualidade, a física quântica. Pretendo escrever no decorrer deste ano textos complementares que levem os leitores às minhas dúvidas e angústias.
Comecemos pelo começo. No século XIX o renomado A. A. Michelson, falando sobre o futuro da física, disse que o mesmo consistiria em "adicionar algumas casas decimais aos resultados já obtidos". Para sermos justos, Michelson acreditava estar, ao fazer essa observação, citando o famoso Lord Kelvin. Na verdade foi Kelvin quem disse que, de fato, tudo estava perfeito na paisagem da física, com exceção de duas nuvens escuras que toldavam o horizonte.
Essas duas nuvens negras, como se viu depois, não apenas ocultavam a luz do sol na paisagem newtoniana, mas a transformavam numa desnorteante visão abstrata, tipo Jackson Pollock, cheia de pontos, manchas e ondas. Essas nuvens eram as precursoras da agora famosa teoria quântica de tudo que existe.
Comecemos por ver, por exemplo, uma partícula simples: o elétron. Será um pontinho de matéria? Acontece que supor que seja tal coisa, que se comporte invariavelmente como tal, é evidentemente errado. Isto porque, em certa ocasião, ele parece uma nuvem composta de um nível infinito de possíveis elétrons, que "parecem" uma única partícula quando e apenas quando a observamos. Além disso, nas ocasiões em que não é uma partícula única, ela parece uma nuvem, ondulando como uma onda, que é capaz de mover-se em velocidades superiores à velocidade da luz, desmentindo redondamente o postulado de Einstein, de que nada material poderia ultrapassá-la.
Poderá um elétron estar realmente em dois lugares ao mesmo tempo? a mensagem à matemática quântica, embora cheia de sutilezas, é inequívoca a esse respeito. Mas um objeto comum — digamos, uma cadeira ou uma mesa, objetos que denominamos de "reais"
— comporta-se também como um elétron? Será que se transforma em ondas e começa a espalhar-se à maneira inexorável das ondas, em todas as ocasiões em que não o estamos observando?
Chegamos mais uma vez, portanto, ao fim da estrada. Há estranheza quântica demais por aí, um número grande demais de experimentos a demonstrar que o mundo objetivo—um mundo que corre para a frente no tempo como um relógio, um mundo que diz que ação à distância, especialmente ação instantânea à distância, não é possível, que diz que uma coisa não pode estar em dois ou mais locais ao mesmo tempo—é uma ilusão de nosso pensamento.
Estamos, portanto, presos a paradigmas de nosso tempo. Paradigmas estes que estão ruindo a cada novo experimento quântico que se realiza. O século XXI há de ser uma nova transição de paradigmas, assim como saímos do mito para a filosofia, da terra plana para a esfera que circunda o sol. Não espero que concordem comigo de pronto, razão pela qual prepararei novos e perturbadores textos sobre o assunto. Mas recomendo que quem achou estranho este texto, pesquise no Google “Incerteza de Heisenberg”, “experimento da fenda dupla” e "interpretação de Copenhagen”. É um bom começo para todos nós.
Domingo, Janeiro 04, 2009
Quem desconhece a história está fadado a repeti-la
Em Abril de 1943 os judeus do Gueto de Varsóvia foram massacrados pela máquina militar do 3º Reich nazi. O Gueto de Varsóvia foi o maior gueto judaico estabelecido pela Alemanha Nazista na Polónia durante o Holocausto, ao tempo da Segunda Guerra Mundial. Nos três anos da sua existência, a fome, as doenças e as deportações para campos de extermínio reduziram a população estimada de 380 000 para 70 000 habitantes. Foi neste gueto que insurgiu o primeiro exercício de resistência de um povo oprimido contra seu opressor nazista. O inalienável direito de resistir, em favor da vida. Queria vir aqui , hoje, falar de coisas boas. Do meu sobrinho que já tá chutando a barrigona da minha irmã, da minha bolsa de mestrado conquistada com muito esforço, ou de tantas coisas boas que planejamos para 2009. Mas infelizmente preciso me posicionar politicamente , uma vez mais. Enquanto o mundo festejava a virada de ano com fogos de artifício, Israel disparava foguetes contra a região conhecida como faixa de gaza. A ofensiva militar de Israel matou pelo menos 500 palestinos em nove dias na Faixa de Gaza, onde os tanques do exército hebreu tomaram o controle, neste domingo, de vários eixos estratégicos, com as tropas enfrentando em alguns pontos os combatentes do movimento islamita Hamas. A ofensiva militar israelense iniciada a 27 de dezembro com bombardeios degradou fortemente uma situação humanitária já precária na Faixa de Gaza, onde vivem 1,5 milhão de pessoas. A eletricidade amanheceu interrompida neste domingo na maioria das cidades, e a falta de combustível se agrava. Na cidade de Gaza, sobrevoada por aviões israelenses, o comércio e as sedes do serviço público permanecem fechados.As ruas estão praticamente vazias, excetuando-se as filas diante das padarias, em previsão de um assédio prolongado.O Programa Mundial de Alimentos (PMA) denunciou uma situação alimentar das "mais precárias" em Gaza. O mundo , cinicamente pede cessar fogo bilateral. Enquanto é sabido de todos que só uma das partes está sofrendo com o massacre. Relembro o inalienável direito de resistir que os judeus corretamente usaram no gueto de Varsóvia. Que tenham honra e reconheçam estes mesmos direitos aos seus agredidos.
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